quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Professor

Hoje foi minha estréia como professor de História. Como o curso de graduação que estou terminando habilita o sujeito ao mesmo tempo como bacharel (pesquisador) e licenciado (professor), faz parte do contrato ministrar algumas aulas. Minhas vítimas são 24 alunos de uma turma do 3° ano do Ensino Médio de uma escola pública.

A maioria é de gente que trabalha durante o dia e ainda tem o heroísmo de assistir a aulas no tempo que sobra. As aulas são à noite. Nas quartas, antes do intervalo, e nas sextas, a última. Ou seja, tudo contribui para que os alunos não vejam a hora de sair porta afora. Mas não posso reclamar deles. Nessa primeira experiência, em que pese o nervosismo da estréia e o orientador do estágio no fundo da sala, foi tudo tranqüilo.

Verdade que eu joguei sujo: metade da aula foi tomada por um vídeo de 17 minutos sobre o nascimento da República no Brasil. Neguinho adora trocar o papo do professor por um filminho para relaxar. E passei duas perguntas para eles responderem com base no documentário, o que os manteve atentos à telinha. Sexta-feira o bicho pega. Na última aula.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Repórter U

O jornalista Upiara Boschi, setorista de política do jornal A Notícia em Florianópolis, inaugurou o blogue Repórter U, com historinhas que não saem nas matérias que ele escreve. Não porque o competente colega negligencie informação ao leitor. É que... bom, é melhor dar uma olhada no blogue. É a editoria de política mais divertida dos últimos tempos.

Imagem

A Ilha - tempestades

Parte 1

IX

Jonas admirou a estátua de Jesus Cristo carregando a cruz, guardada há quase dois séculos e meio na Capela do Menino Deus. A imagem é expressiva, até assustadora. Toda esculpida em madeira, teve as partes móveis travadas porque seu realismo apavorava o povo durante as procissões. Há 240 anos, um navio vindo do Norte a transportava para outra cidade, mas uma tempestade obrigou a embarcação a fazer uma escala forçada na ilha. O povo disse que era milagre. A gente mais importante do lugar acabou comprando a imagem. Fundaram uma irmandade para cuidar do Cristo de madeira e todos os anos carregá-lo em procissão até a catedral.

– Ela sempre impressiona, mesmo tendo sido vista muitas vezes – disse uma voz conhecida.
O mergulhador virou-se e reconheceu Gilmar, o provedor da irmandade.
– Obrigado por ter vindo, Jonas. Vamos ao meu escritório, alguém deseja falar com você. Acho que os dois têm muito o que conversar.

Estudantes que dirigiam-se às salas de aula...

domingo, 5 de novembro de 2006

Veja a charge

A revista Veja andou se enrolando de novo em códigos de ética. Agora é acusada de publicar sem autorização a charge acima (de Santiago, desenhista do Jornal do Comércio, de Porto Alegre) e usá-la como argumento num editorial, sem citar o nome do autor. A história está no Blog dos Quadrinhos.

Companhia

A Ilha - tempestades

Parte 1

VIII

Vilma reconhecia no Museu do Homem do Sambaqui, instalado dentro de um colégio jesuíta, um segundo lugar de trabalho, talvez até uma segunda casa. Os padres e funcionários do colégio já estavam acostumados com isso e ela sempre subia ao museu quando precisava falar com um dos religiosos. O padre-professor Alfredo Schmitt não demorou muito a chegar. Cumprimentou amistosamente a historiadora.

– Tomei conhecimento de que os arqueólogos do PAS haviam descoberto algum objeto com a inscrição da Companhia – disse o padre. – Estamos todos muito interessados.
– Não quis trazer a caixa aqui hoje por uma questão de segurança, e também pelas dificuldades de transportar algo assim pesado. Mas está à sua disposição no Museu Universitário. Trouxe algumas fotos. Não conhecíamos nada desse tipo, talvez os padres da Companhia possam nos ajudar a saber mais sobre ela.

Vilma abriu a pasta de fotos ao padre ansioso.

Jonas admirou a estátua...

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Mensagem

A Ilha - tempestades

Parte 1

VII

As placas de cerâmica dura continham algumas inscrições, mapas e outras indicações gráficas.

– É curioso que isso não tenha sido escrito em papel – disse a historiadora Vilma Duarte. – É possível que contassem com a possibilidade de perder esse material e encontrá-lo de novo muito tempo depois. A escrita parece ser do século 18, a caixa também, mas simplesmente não encontrei referências a esse tipo de material – concluiu.
– Bom, isso torna o material ainda mais interessante – argumentou a arqueóloga Carolina. – Continuamos a busca no sítio do naufrágio, mas não há esperança de encontrar algo mais. Foi sorte o mar ter desenterrado o navio. O que resta dele, ou está enterrado bem mais fundo, ou já se deteriorou. Mas temos uma pista. Encontramos um sino, que acreditamos ser do próprio navio.
– E então?
– É holandês.

Vilma reconhecia no museu...

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Tesouro

A Ilha - tempestades

Parte 1

VI

O prédio do Museu Universitário havia sido recentemente ampliado, multiplicando seu espaço por dez, mas a fachada continuava sendo a de uma antiga estrebaria, construída antes mesmo da universidade e adaptada para novos usos, de forma que sua função original tornou-se irreconhecível. Carolina atravessou o pequeno prédio antigo e entrou no grande anexo novo, com salas modernas e laboratórios. Cumprimentou a velha amiga Vilma Duarte, historiadora dedicada ao projeto missionário jesuítico nos séculos 16 a 18.

Vilma já havia recebido o objeto encontrado no naufrágio, no dia anterior. O conjunto havia passado por um processo de limpeza e a caixa fora aberta pelos arqueólogos. Pelo peso, julgou-se inicialmente que transportava ouro, mas o conteúdo revelado eram placas de um tipo de cerâmica muito dura, bem preservadas. Carolina procurou a especialista porque nunca havia encontrado material como esse.

As placas de cerâmica...